Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Insatisfação e Desânimo

Especialização

Imagem
Eu canso das atividades. Enjôo. Qual é o meu problema afinal? Quando me pego pensando que a atividade profissional que terei de fazer pelo restante da minha vida é analisar processos, fico arrepiada. Não vou aguentar, penso.  Sempre pensei que tivesse algo de errado comigo. Por que tanta inquietação? Bem... com essa conversa que o Atila Iamarino teve com o filósofo e professor da USP Vladimir Pinheiro Safatle descobri que não tem absolutamente nada de errado comigo. Somos seres plurais, com múltiplos interesses e é natural que não nos sintamos satisfeitos em limitar a nossa atividade profissional a apenas um ou dois desses interesses. Isto é, nesse sentido, a especialização atenta contra o potencial humano.  Além disso, o vídeo mostra como o trabalho passou a ocupar uma posição central nas sociedades ocidentais e como a lógica econômica passou a ditar também o ritmo de todas as relações sociais, criando uma sociedade na qual não há mais espaço para a solidariedade. Esse racioc...

Sinal de Cansaço

Imagem
  C onsidero o meu trabalho tranquilo perto da realidade dos trabalhos na iniciativa privada. Mas isso não significa que eu não fique mentalmente exausta. Fiquei em torno de 7 meses envolvida na reforma do meu apartamento. E os últimos 3 meses da reforma foram especialmente estressantes. Mas a minha vida não parou para eu cuidar da reforma e, em seguida, da mudança de casa. O resultado é que, no final do processo, eu estava absolutamente exausta, física e mentalmente.  Previsivelmente esse cansaço se refletiu em meu trabalho, a minha capacidade de foco reduziu bastante, passava mais tempo para escrever as minutas e cometi alguns deslizes bobos, de pura desatenção, que não passaram desapercebidos pela chefia. Eu fui chamada atenção por mensagem e senti a necessidade de me defender, pedindo desculpas, dizendo que eu iria ficar mais atenta e explicando o caos pelo qual eu estava vivendo em minha vida pessoal. Depois, refletindo, pensei que eu já tinha feito tantas minutas, boas e...

Respiro

Imagem
Há alguns meses venho ansiando pelos finais de semana. Simplesmente para poder descansar. Para não ficar correndo de lá para o cá o dia inteiro, de compromisso em compromisso. Passeio com cachorro, escola, academia, trabalho, escola, vôlei, exame, supermercado, prestador de serviço, louça suja... a lista não tem fim. Finais de semana me dão a liberdade de não ter obrigações com horário, posso assistir a um filme na NetFlix da minha cama, ler um livro com calma, escrever nesse blog, comer tranquilamente, passear com meu cachorro apreciando a natureza e sentindo o sol sobre a minha pele, dar atenção para a minha filha sem estar com a mente cheia de compromissos, prazos, demandas, sem ter de me preocupar em fazer aquela tarefa numa determinada janela de tempo.  Descanso, coloco pendências do trabalho em dia, faço as unhas, adianto tarefas domésticas, dou um gás no estudo, às vezes tenho interações sociais significativas, em eventos escolares ou festas de aniversário ou simplesmente nã...

Insatisfação

Imagem
Tenho sentido uma insatisfação crescente no trabalho acompanhada de tédio e uma tendência procrastinadora que me assusta. Como sustentar isso a longo prazo? Processos repetitivos, alegações repetitivas, mais do mesmo todo dia. Sem contar a beligerância característica dos processos que tramitam em varas de família. Isso cansa. A minha estratégia para aplacar o desânimo e a desmotivação vinha sendo mudar de lotação periodicamente. Pela minha experiência, 1 ano é normalmente o prazo em que começo a ficar entediada de lidar com processos da mesma matéria e 2 anos é o prazo máximo. Sinto que fico no meu limite depois disso. Sempre achei que o problema por me sentir assim estivesse em mim, porque vejo muitos analistas trabalhando há anos com a mesma chefia e com a mesma matéria. Por outro lado, sou capaz de ponderar que foi a insatisfação que me fez estudar, fazer uma segunda graduação depois de me tornar mãe e passar em um concurso de analista, deixando de ser técnico. Não me arrependo...