Sinal de Cansaço
Considero o meu trabalho tranquilo perto da realidade dos trabalhos na iniciativa privada. Mas isso não significa que eu não fique mentalmente exausta.
Fiquei em torno de 7 meses envolvida na reforma do meu apartamento. E os últimos 3 meses da reforma foram especialmente estressantes. Mas a minha vida não parou para eu cuidar da reforma e, em seguida, da mudança de casa. O resultado é que, no final do processo, eu estava absolutamente exausta, física e mentalmente.
Previsivelmente esse cansaço se refletiu em meu trabalho, a minha capacidade de foco reduziu bastante, passava mais tempo para escrever as minutas e cometi alguns deslizes bobos, de pura desatenção, que não passaram desapercebidos pela chefia.
Eu fui chamada atenção por mensagem e senti a necessidade de me defender, pedindo desculpas, dizendo que eu iria ficar mais atenta e explicando o caos pelo qual eu estava vivendo em minha vida pessoal.
Depois, refletindo, pensei que eu já tinha feito tantas minutas, boas e bem fundamentadas, sem qualquer defeito, mesmo vivendo esse turbilhão pessoal, mas basta um pequeno erro para sermos chamados.
Dificilmente somos reconhecidos pelo bom trabalho, como se não estivéssemos fazendo mais do que nossa obrigação, mas um pequeno erro ou deslize, pode colocar em xeque a nossa confiabilidade.
A questão é que para eu ficar mais atenta e até mais produtiva, eu precisava descansar, fazer uma pausa. Não é falta de cobrança, inclusive autocobrança, que está faltando.
Acho que ajuda também nos sentirmos compreendidas em nossos momentos ruins, acolhidas em nossas dificuldades, abraçadas em nossas fraquezas.
Contudo, o que particularmente sinto é uma necessidade de estar produtiva e bem de forma linear no tempo para ser aceita pela chefia, para não correr o risco de ser dispensada, para justificar o cargo em comissão, que me ajuda a pagar pela terapia, pela gasolina, pelo plano de previdência.
É claro que quem executa as tarefas vai errar muito mais do que quem apenas revisa. A tarefa do revisor é precisamente encontrar erros e isso é bem mais fácil de fazer quando lemos algo escrito por outra pessoa, não por nós mesmos.
De qualquer maneira, os lapsos que experimentei me alertaram de que eu precisava descansar, que o meu trabalho exige grande concentração e foco e que é melhor desligar o computador quando estou cansada e voltar no dia seguinte do que insistir na tarefa.
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| Niksen, Abraçando a arte holandesa de não fazer nada. Apoiada nas opiniões dos maiores especialistas do mundo em felicidade e produtividade, a jornalista Olga Mecking examina a ciência subjacente ao niksen e como a prática de fazer menos pode muitas vezes render muito mais. |
Exerço um tipo de atividade intelectualmente exigente e por vezes maçante de analisar documentos, alegações, fazer pesquisas legais e de jurisprudência e redigir uma manifestação coerente e tecnicamente embasada, que eu até gosto.
Por outro lado, sem autonomia sobre o meu tempo, sem o meu nome, sem o status e a responsabilidade do cargo, sem as férias em dobro, a remuneração em quádruplo, as prerrogativas funcionais, as vantagens indenizatórias...
Isso me faz pensar se eu realmente desejo estar fazendo essa atividade e nesse contexto pelos próximos 5 e 10 anos da minha vida.



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