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Mostrando postagens de junho, 2024

20 horas

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Depois das 20 horas, eu não presto. Se eu não fui para academia de manhã, esquece. Se eu não fiz meus exercícios de flexibilidade, ainda dá tempo de fazer... mas eu não quero mais. Estou cansada. Física e mentalmente. Eu quero descansar. Preciso. Cheguei ao final do dia frustrada por não ter feito tudo o que gostaria. Não fiz o arroz que minha filha pediu, não assisti às Tartarugas Ninja com ela, não fui para a academia, não fiz caminhada nem meus exercícios de flexibilidade, não passeei de noite com o cachorro. Então, o que eu fiz? Lavei a louça várias vezes durante o dia, comprei e assei lasanha e fettucine, supervisonei a minha filha fazendo torradas, fiz escova no salão para a graduação dela amanhã, trabalhei, fiquei mais de 2 horas num mesmo caso que "parece fácil, mas é difícil", comecei a ler a amostra grátis de um livro sobre copywriting, que me fez sonhar na possibilidade de ganhar muito dinheiro sem precisar passar num concurso X, que nem tenho tanto interesse assim...

Copywriter

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Ao contrário da crítica social que comentei no último post, sobre o capitalismo selvagem, o neoliberalismo que invade todas as nossas relações sociais sem que ao menos notemos, tenho aqui um vídeo do youtuber Ali Abdall, que acompanho, aprecio e que fala precisamente de 5 habilidades que ele considera importantes para estudantes aprenderem se quiserem ganhar dinheiro: 5 High Income Skills Students Can Learn in 2024 . Não tem nada a ver com a faculdade que você cursou, com a família em que você nasceu, com a pós-graduação ou MBA que você despendeu seu tempo, seu dinheiro e sua energia. A verdade é que essas habilidades não são ensinadas na escola nem na faculdade.  Então... eu penso no meu caso. Tenho despendido cerca de 1h a 1h30 por dia do meu tempo fazendo questões de concurso, lendo os últimos precedentes do STJ e do STF que podem ser eventualmente cobrados nas provas... para quê?  Para, quem sabe, passar no concurso para um cargo de autoridade, membro de poder, e não ter ...

Especialização

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Eu canso das atividades. Enjôo. Qual é o meu problema afinal? Quando me pego pensando que a atividade profissional que terei de fazer pelo restante da minha vida é analisar processos, fico arrepiada. Não vou aguentar, penso.  Sempre pensei que tivesse algo de errado comigo. Por que tanta inquietação? Bem... com essa conversa que o Atila Iamarino teve com o filósofo e professor da USP Vladimir Pinheiro Safatle descobri que não tem absolutamente nada de errado comigo. Somos seres plurais, com múltiplos interesses e é natural que não nos sintamos satisfeitos em limitar a nossa atividade profissional a apenas um ou dois desses interesses. Isto é, nesse sentido, a especialização atenta contra o potencial humano.  Além disso, o vídeo mostra como o trabalho passou a ocupar uma posição central nas sociedades ocidentais e como a lógica econômica passou a ditar também o ritmo de todas as relações sociais, criando uma sociedade na qual não há mais espaço para a solidariedade. Esse racioc...

Sinal de Cansaço

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  C onsidero o meu trabalho tranquilo perto da realidade dos trabalhos na iniciativa privada. Mas isso não significa que eu não fique mentalmente exausta. Fiquei em torno de 7 meses envolvida na reforma do meu apartamento. E os últimos 3 meses da reforma foram especialmente estressantes. Mas a minha vida não parou para eu cuidar da reforma e, em seguida, da mudança de casa. O resultado é que, no final do processo, eu estava absolutamente exausta, física e mentalmente.  Previsivelmente esse cansaço se refletiu em meu trabalho, a minha capacidade de foco reduziu bastante, passava mais tempo para escrever as minutas e cometi alguns deslizes bobos, de pura desatenção, que não passaram desapercebidos pela chefia. Eu fui chamada atenção por mensagem e senti a necessidade de me defender, pedindo desculpas, dizendo que eu iria ficar mais atenta e explicando o caos pelo qual eu estava vivendo em minha vida pessoal. Depois, refletindo, pensei que eu já tinha feito tantas minutas, boas e...

Respiro

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Há alguns meses venho ansiando pelos finais de semana. Simplesmente para poder descansar. Para não ficar correndo de lá para o cá o dia inteiro, de compromisso em compromisso. Passeio com cachorro, escola, academia, trabalho, escola, vôlei, exame, supermercado, prestador de serviço, louça suja... a lista não tem fim. Finais de semana me dão a liberdade de não ter obrigações com horário, posso assistir a um filme na NetFlix da minha cama, ler um livro com calma, escrever nesse blog, comer tranquilamente, passear com meu cachorro apreciando a natureza e sentindo o sol sobre a minha pele, dar atenção para a minha filha sem estar com a mente cheia de compromissos, prazos, demandas, sem ter de me preocupar em fazer aquela tarefa numa determinada janela de tempo.  Descanso, coloco pendências do trabalho em dia, faço as unhas, adianto tarefas domésticas, dou um gás no estudo, às vezes tenho interações sociais significativas, em eventos escolares ou festas de aniversário ou simplesmente nã...

Teletrabalho

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  O trabalho não presencial aumentou exponencialmente minha qualidade de vida em razão da flexibilidade de tempo. Por exemplo, 1 hora de deslocamento no trânsito significa uma hora disponível no dia, que posso utilizar para a prática de atividades físicas, considerada medida de saúde física e mental, e que se reflete, de maneira irremediável, na produtividade do servidor. Além disso, permite o exercício da maternidade de maneira menos sobrecarregada, especialmente para mães que, como eu, contam com escassa rede de apoio. Organizo-me para começar a trabalhar pela manhã de modo que, à tarde, posso buscar minha filha na escola, sem ter de custear transporte escolar ou ter preocupações de organização da logística, um trabalho invisibilizado, que gera estafa mental. Quando me sinto muito cansada, indisposta ou até mesmo quando tive COVID, tenho a possibilidade de, com autonomia e responsabilidade, reorganizar meu trabalho de modo a respeitar meu corpo, que pede um tempo a mais de desca...

Insatisfação

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Tenho sentido uma insatisfação crescente no trabalho acompanhada de tédio e uma tendência procrastinadora que me assusta. Como sustentar isso a longo prazo? Processos repetitivos, alegações repetitivas, mais do mesmo todo dia. Sem contar a beligerância característica dos processos que tramitam em varas de família. Isso cansa. A minha estratégia para aplacar o desânimo e a desmotivação vinha sendo mudar de lotação periodicamente. Pela minha experiência, 1 ano é normalmente o prazo em que começo a ficar entediada de lidar com processos da mesma matéria e 2 anos é o prazo máximo. Sinto que fico no meu limite depois disso. Sempre achei que o problema por me sentir assim estivesse em mim, porque vejo muitos analistas trabalhando há anos com a mesma chefia e com a mesma matéria. Por outro lado, sou capaz de ponderar que foi a insatisfação que me fez estudar, fazer uma segunda graduação depois de me tornar mãe e passar em um concurso de analista, deixando de ser técnico. Não me arrependo...

Erro

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Uau! Tipifiquei o crime de ameaça como inserto no artigo 146 do Código Penal, embora já tenha minutado inúmeras denúncias e alegações finais envolvendo esse crime. Mal acreditei quando me chamaram a atenção para esse erro grosseiro, pois repeti isso duas vezes na peça. Como recentemente tive outros lapsos por pura desatenção que até então atribuíra ao cansaço, cheguei a pensar, dramática que sou, que estivesse talvez começando a desenvolver algum tipo de demência mental com perda da capacidade cognitiva. Ou talvez seja apenas falta de sono de qualidade. A notícia do meu erro estragou não só o fim da minha tarde de sexta-feira como também a minha noite de sono. Tanto é que estou aqui agora escrevendo. São exatamente 4:36 da manhã. Fiquei me martirizando por ter cometido aquele erro. E não foi só aquele! Contei errado a soma das penas dos crimes e pedi para encaminhar para uma promotoria criminal, quando o correto seria para promotoria especial criminal. Aí já era demais! Eu me lemb...

Não é preguiça, é sobrevivência

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Para o analista, em geral, não compensa trabalhar num local com muito volume de processos e/ou com muitos processos longos e complexos, com muitos atendimentos e outras tarefas adicionais. O motivo é simples: não somos recompensados por trabalhar mais, não recebemos incentivos financeiros nem de outra ordem. Então, quanto mais tranquilo o trabalho, melhor. Já que não se ganha a mais por fazer mais nem se tem mais dias de folga, pelo menos, se tem mais qualidade de vida. Isso não é preguiça, é sobrevivência. Outro fator relevante é o perfil da chefia. Somos seres humanos e, mais cedo ou mais tarde, cometeremos erros. Como os nossos chefes lidam com os erros? Você sente medo de errar? Se ficamos um tempo sem mandar uma manifestação, recebemos uma mensagem despretensiosa cuja intenção verdadeira é apenas verificar se estamos realmente com a bunda sentada na cadeira hipnotizados pelas nossas telas? Você se sente de alguma forma controlado de um jeito ruim? A chefia tem outros interess...